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O Sistema de Saúde no Reino Unido

 

O National Health System (NHS) é o sistema de saúde mais antigo do mundo e é considerado o melhor de todos entre os 10 pesquisados (Austrália, Canadá, França, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Suécia, Suíça e os EUA).

 

Ele atende a população do Reino Unido (Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte) sem distinção de nacionalidade.

 

Ele é mantido às custas de um imposto específico que cada país se responsabiliza por recolher e as despesas são gerenciadas em um local comum do Reino Unido.

 

Ele abrange consultas em todas as especialidades, serviços auxiliares de diagnose e terapia, óculos e medicamentos e internações de maneira gratuita a todos os cidadãos do Reino Unido, residentes legais e seus dependentes, e estudantes em cursos com duração superior a seis meses.

 

Para ter acesso ao sistema público basta se inscrever no posto local, determinado pelo seu endereço, portando documentação pessoal e comprovante de endereço. Após preencher um formulário básico o morador recebe uma carta com o número de registro e o nome do médico de família responsável pelo seguimento, mais conhecido como GP (General Practitioner). Todo esse processo é gratuito e rápido. Em uma semana o morador já pode agendar sua primeira consulta.

 

Somente o atendimento eletivo é realizado com hora marcada. O de urgência é por ordem de chegada.

 

Embora seja considerado o melhor entre os 10 pesquisados, a maioria dos médicos e pacientes consultados se dizem insatisfeitos com este sistema dizendo que: “está longe do

ideal, mas funciona !”.

 

Em visita recente àquele país ouvi de um usuário do sistema que, embora exista demora no atendimento ele está muito longe de ser ruim como no Brasil.

Brasileiros que moram naquele país e que estão habituados a procurar o médico, o local e a especialidade de livre escolha no Brasil acham que aquele sistema é muito ruim e classificam-no em um padrão "encaminhometria". Ninguém trata nada e o paciente é sempre encaminhado entre os médicos.

O Sistema de Saúde Canadense

 

Não existe um único sistema de saúde pública no Canadá. 

Cada província canadense (10 ao total) possui certa autonomia em relação ao governo federal e são responsáveis pela saúde e educação de seus habitantes. 

Cada província determina como funciona seu sistema de saúde. 

 

Cada habitante tem recolhido no seu imposto de renda pessoa física e jurídica um valor específico de custeio da saúde. Ele pode ainda ter um plano de saúde privado para atender aquilo que o estado não se julga responsável por custear.

 

A maioria dos médicos não trabalha para o governo. Eles prestam atendimento ao público dentro de um hospital, com agenda pré-estabelecida, e tem horário específico para estudar e pesquisar no mesmo hospital onde atendem. Os colaboradores dos consultórios destes médicos dentro dos hospitais são pagos pelos próprios médicos.

 

Os médicos são remunerados pelo estado, através dos governos provinciais. Eles não podem cobrar nada dos pacientes exceto aquilo que o estado não der cobertura (exemplo tratamento da fertilidade, remédios fora do regime hospitalar, home care, etc).

 

A lei que determina as regras do serviço de saúde canadense estão declaradas no  Canadian Health Act que tem por princípios:

 

- Administração Pública: Toda a administração de saúde provincial deve ser realizada por uma autoridade pública sem fins lucrativos. Os serviços de saúde devem prestar contas à província ou ao território, e seus registros e contas estão sujeitos a auditorias.

- Abrangência: Todos os serviços de saúde necessários, incluindo hospitais, médicos e dentistas devem ser registrados no sistema de saúde estatal.

 

- Universalidade: Todos os residentes têm direito ao mesmo nível de assistência médica.

- Portabilidade: Um residente que se muda para uma província ou território diferente ainda tem direito à cobertura de sua província natal durante um período mínimo de espera. Isto também se aplica aos residentes que deixam o país.

- Acessibilidade: Todos os residentes têm acesso razoável aos serviços de saúde. Além disso, todos os médicos, hospitais, etc., devem receber uma compensação razoável pelos serviços que prestam.

 

Estão excluidos desta lei muitos serviços odontológicos, atendimento em optometria (sim, no Canadá quem prescreve óculos são os optometristas. Quem cuida da saúde ocular são os médicos Oftalmologistas).

Existem 30 mil médicos respónsáveis pela atenção primária a população. Estes executam o primeiro atendimento à população. Os restantes 28 mil médicos são especialistas. Neste sistema também há demora para alguns atendimentos. Uma ressonância nuclear magnética, por exemplo, pode demandar alguns meses de espera.

Algumas províncias autorizam o médico a cobrar diretamente do paciente que faltou ao agendamento. 

 

A maioria da população e mesmo os brasileiros que se mudam para aquele país se dizem saisfeitos com este modelo de atendimento

O Sistema de saúde pública na Holanda

 

Não existe sistema de saúde pública na Holanda.

 

O governo, desde 2006, controla a qualidade do serviço, mas não interfere no custeio.

 

Todo morador é obrigado a pagar um seguro saúde pessoal que varia de € 80 a 160 por pessoa (entre R$ 360 a 730 por pessoa cotando o Euro a R$ 4,55). É importante frisar que o menor salário pago na Holanda em 2018 foi de € 1.594,20. Isso significa que cada pessoa produtiva paga entre 5 e 10% do que recebe para um dos vários seguros existentes para ter acesso a saúde.

 

O que diferencia o seguro mais barato do mais caro é a abrangência do que é oferecido. No seguro mais barato estão excluídos atendimentos odontológicos, fisioterapia, etc. No mais caro muitas exclusões (mas não todas) são acrescentadas. É importante frisar que o que muda é somente o que é incluído ou não. Para todos não existe luxo ou galhardia. Todos são internados nos mesmos hospitais, atendidos pelos mesmos médicos, tem direito aos mesmos medicamentos, etc.

 

Moradores com idade entre 0 e 18 anos não pagam seguro. Moradores com até 4 anos de idade fazem suas consultas de rotina  nos  consultatiesbureaus  (que são consultórios adequados para esta faixa etária). Dos 4 aos 18 todos os profissionais de saúde estão vinculados a escola.

 

Além disso, há uma franquia anual de € 370,00. Comparando com os seguros de automóvel no Brasil: se você tiver uma franquia de 1 mil reais no seguro do seu veículo e sofrer um acidente e o conserto custar até mil reais quem paga é você. Acima disso a seguradora arca com a despesa. Na Holanda as despesas anuais com saúde que custarem até € 370,00 em um ano serão pagas pelo morador.
 

Para acessar o sistema de saúde o morador deve se cadastrar junto ao médico de família da região geográfica onde está inserido (huisarts). Ele e somente ele está autorizado a te atender de segunda a sexta feira dentro da agenda de trabalho dele. Nos finais de semana existem clínicas que funcionam para substituir os huisarts. Para ser atendido de rotina no consultório do huisarts você deve telefonar para a clínica dele. Um atendente irá avaliar se há ou não necessidade deste atendimento. Se o atendente considerar que sim o momento é agendado. Se não ele orienta o morador e fim. O mesmo vale para as clinicas de final de semana.

 

Consulta em Pronto Socorro somente em caso de comprovada urgência médica. E, quem determina se é urgência ou não, é o atendente do telefone do Pronto Socorro. Isso faz com que não existam filas ou demora no atendimento. O morador pode ter o atendimento aceito ou rejeitado pelo próprio atendimento telefônico.

 

O número de especialistas é muito reduzido e o encaminhamento para a especialidade é demorado e lento.

 

O aspecto preventivo é pouco valorizado por este sistema de saúde. Protocolos internacionais de exames preventivos não são considerados. Um exame de papanicolau para prevenção do câncer uterino deve ser realizado a cada 5 anos e somente depois dos 40 anos de idade.

 

Os medicamentos também são custeados pelo seguro. O huisarts emite a receita diretamente para a farmácia do bairro do morador que deve retirá-lo lá. Neste aspecto também existem muitas restrições. Os médicos locais evitam prescrições. As farmácias não vendem medicamentos sem receitas (exceto paracetamol e mais uns outros poucos). Uma queixa freqüente dos moradores é a de que todos os médicos prescrevem paracetamol e orientam muita ingestão liquida. Eles orientam que “o corpo deve buscar a cura sem intervenção médica”. 

 

Não há nenhum incentivo a mudança do huisarts da região do morador, qualquer que seja a motivação. Pelo contrário.

 

Este sistema é considerado por alguns como o melhor de todos no continente europeu. Eles justificam considerando a expectativa de vida na Holanda que é de 81 anos, o que a coloca em 19° lugar no ranking da ONU. Esta expectativa de vida, entretanto, está praticamente empatada com a do Reino Unido e Canadá onde a saúde pública é integralmente custeada pelo estado.